Artesanato de Maceió: um dos atrativos mais procurados na cidade.

O povo de Alagoas gosta de se expressar, mas não é só isso que faz o artesanato de Maceió ser um dos maiores atrativos do destino. Além dos diversos pontos de distribuição de arte, a criatividade dos artistas é o que mais desperta interesse nos visitantes de nossa cidade. Trouxemos nomes e vivências de três grandes artesãos de Maceió para você conhecer e se encantar com o trabalho realizado por eles. Confira!

Esculturas Minimalistas por Arlindo Monteiro

Reconhecido como mestre artesão em Alagoas, o pernambucano Arlindo Monteiro, sempre teve a madeira como seu instrumento de trabalho. Acostumado a trabalhar em peças com mais de dois metros de altura, foi a partir de um sonho que decidiu se aventurar no minimalismo. O insight do artista surgiu através do sonho com uma escultura de Jesus Cristo crucificado em um palito de fósforo. “Gastei 400 palitos para conseguir fazer um Cristo”, relembra ele. Ao comercializar a sua miniatura “a pulso” e, ter ganho uma lâmina e cabo de bisturi, o artesão decidiu dedicar-se às pequenas esculturas, buscando sempre aprimorar a qualidade do trabalho e a satisfação de seus clientes.

“Quem fala do meu trabalho é o meu trabalho”, disse o artista. (Aviador peça 3x menor que uma muriçoca)

 

Se engana quem acredita que madeira é a única expertise do artista. Colecionando uma caminhada de mais de 40 anos com artesanato, onde 30 deles é dedicado às pequenas esculturas, Arlindo também trabalha com pedra e barro. O mestre Arlindo Monteiro possui uma loja-ateliê aberto para visitação Mercado do Artesanato, no Centro de Maceió. Você também adquire o trabalho do Arlindo no Aeroporto Zumbi dos Palmares; na loja Pisa na Fulô no Parque Shopping (Cruz das Almas), ambos , em Maceió. Além dos aeroportos de São Paulo, Salvador, Recife e Rio de Janeiro.

 

Cada trabalho é um pedaço desse artista, da sua expressão, referências alagoanas e resgate da cultura popular do Brasil. Suas esculturas já foram expostas não só em outros estados, mas também em outros países, a exemplo do Chile, Argentina e até a abertura da novela Global “Da Cor do Pecado”.

“Crie uma linha de trabalho para que as pessoas identifique você como profissional, crie uma identidade para o seu trabalho”, incentiva o artista.

 

Bonecas, rendas e afeto por Maria Corá

O trabalho de Maria Corá pode ser resumido em uma característica: expressividade. Descobriu-se artista na época que estudava gastronomia, mas buscava algo que pudesse demonstrar seu amor pela arte, imprimir suas características e ser destaque. Ceramista há mais de uma década, a artista traz em seu acervo bonecas que, apesar de não ter a anatomia do rosto, exteriorizam uma melancolia própria e a delicadeza da figura feminina, ostentando belíssimos vestidos de renda e cores.

“Meu trabalho transcende a estética corporal. Eu tentei focalizar mais na licença corporal”, revela a artista Maria Corá.

Feitas com argila colorida, o trabalho não leva nenhuma tinta e garantem a autenticidade de suas bonecas e dos belíssimos detalhes dos vestidos. “Todas as peças são modeladas, vão para o processo de cozimento e para as prateleiras de vendas”, conta. Além disso, toda inspiração e paixão vêm de dentro da artista. “A minha ideia era construir peças de barro para atuar em segundo plano. Eu queria destacar os vestidos de crochê que eu faço”, conta a artesã que também é professora de educação artística e apaixonada por trabalhos manuais. 

 

Além das bonecas, Maria também fabrica acessórios e esses são carregados de afeto. Ela conta que as bolinhas que fazem parte da composição, são feitas por sua avó que tem 88 anos e muita energia boa para auxiliá-la em no trabalho. Ela conta que a avó fica em seu ateliê fazendo bolinhas com a argila e ela precisava dar forma a essa energia gasta. “Os acessórios surgiram de uma pressão dos meus clientes, que falavam o quanto o meu trabalho é feminino e que deveria investir em acessórios também. Daí aproveitei o que eu já tinha e investi nesses artefatos”, explica. A coleção Afago é um convite para se abrir ao próximo. A figura da mulher aparece mais uma vez, sendo exaltada a partir da delicadeza e ao mesmo tempo a força da maternidade. As peças possuem uma aparência mais carinhosa, enviando ou pedindo beijo.

 

Pluralidade do mestre Pedroca

O mestre-artesão Pedroca começou seu trabalho ainda menino, esculpindo animais em legumes. Nessa época ele ainda não conhecia o trabalho em madeira, mas já tinha uma inspiração latente no barro, tendo em vista que sua mãe era ceramista e criava peças de utilitários domésticos. Passou a trabalhar como ceramista, até que aos 14 anos começou a confeccionar em madeira. As suas primeiras peças foram coronhas de espingardas, as quais ele se recorda com muita satisfação.

“Eu sabia que era bonito e que o povo admirava,” relembra o mestre artesão Pedroca, quando indagado pelo valor e reconehcimento do seu trabalho.

Alagoano de Olho d’Água Grande, ele conta que demorou a entender o valor de suas peças, mas que as fazia com muita satisfação para presentear humildemente os admiradores. Hoje, considerado patrimônio e mestre artesão, Pedroca passou a reconhecer a importância de seu trabalho já na fase adulta. “Foi quando um moço lá em Olinda me falou ‘olha, Pedro, um rapaz aqui ganhou numa exposição uma bicicleta de presente porque fez uma corrente sem emenda’”, contou. Foi a partir daí que ele não só esculpiu a corrente fechada, como fez um cacho de correntes com um sino e um badalo pendurado. Foi o levou ao reconhecimento e título de artista plástico aos 20 e poucos anos.

 

Até os dias atuais, o artesanato continua sendo a principal ocupação do mestre Pedroca. Ele estampa um sorriso gratificante em relatar sobre o seu título de mestre artesão reconhecido pelo estado de Alagoas. A cerâmica ainda faz parte do seu arsenal criativo, porém com uma técnica pouco usada por outros artesãos. “Depois da peça pronta eu não coloco no fogo, ela é ‘curtida’ em água por 5 dias. É uma técnica pouco usada e quero ensinar”, conta ele. Já as peças em madeira são feitas com matéria-prima de descarte, contribuindo também para reciclagem de forma sustentável.

 

O artesanato de Maceió é um dos atrativos mais procurados pelos turistas que visitam a cidade. Seja pelo colorido, pela história de vida do artista, pela representatividade que cada peça carrega ou pela emoção impressa em cada detalhe do artefato.